Foto: Arquivo / Agência O Globo
Quando se fala em Fusca, logo vem à mente um dos automóveis mais famosos do mundo. Robusto, simples e extremamente confiável, o pequeno Volkswagen conquistou milhões de pessoas em todos os continentes. Mas poucos sabem que sua história também passou pelos rios, lagos e até pelo mar.
Sim, existiu um Fusca anfíbio.
Na verdade, essa história possui dois capítulos: o primeiro envolve um veículo militar desenvolvido durante a Segunda Guerra Mundial, enquanto o segundo mostra experiências realizadas pela própria Volkswagen e por entusiastas que provaram que um Fusca poderia realmente navegar.
A origem do projeto
O desenvolvimento começou no início da década de 1940.
A plataforma mecânica criada por Ferdinand Porsche para o Volkswagen mostrou-se extremamente resistente e versátil. Seu motor boxer refrigerado a ar dispensava radiador, eliminando um dos maiores riscos para veículos que operavam próximos da água.
Os engenheiros perceberam rapidamente que aquela mecânica poderia servir de base para um veículo militar anfíbio.
Assim nasceu o Volkswagen Type 166 Schwimmwagen, literalmente "carro nadador". Apesar de compartilhar diversos componentes mecânicos do Fusca, sua carroceria era completamente diferente, construída como um casco metálico vedado semelhante ao de um pequeno barco.
O Schwimmwagen
Embora muitos o chamem de "Fusca anfíbio", o Schwimmwagen não era simplesmente um Fusca adaptado.
Ele utilizava:
- motor boxer Volkswagen de 1.131 cm³;
- transmissão derivada do Fusca;
- suspensão baseada na plataforma Volkswagen;
- tração nas quatro rodas;
- diferencial autoblocante;
- hélice retrátil acionada diretamente pelo motor.
Quando entrava na água, o motorista abaixava uma hélice localizada na traseira.
As rodas dianteiras funcionavam como leme, permitindo controlar a direção exatamente com o volante.
Na terra alcançava aproximadamente 80 km/h.
Na água navegava perto de 10 km/h.
O carro anfíbio mais produzido da história
Entre 1941 e 1944 foram produzidas cerca de 15.584 unidades.
Até hoje, nenhum outro automóvel anfíbio foi fabricado em quantidade superior.
Os veículos eram utilizados para:
- reconhecimento;
- travessia de rios;
- transporte de soldados;
- apoio logístico.
Sua simplicidade mecânica permitia operar em locais onde veículos convencionais não conseguiam chegar.
O Fusca que atravessou o mar
Terminada a guerra, a fama da robustez do Fusca levou diversos aventureiros a imaginar uma versão civil anfíbia.
Um dos casos mais famosos ocorreu em 1964, quando um Volkswagen 1200 praticamente original atravessou o Estreito de Messina, ligando a península italiana à Sicília.
As modificações eram surpreendentemente simples:
- vedação reforçada;
- escapamento elevado;
- tomada de ar reposicionada;
- pequena hélice traseira.
A travessia foi concluída com sucesso em aproximadamente 38 minutos, demonstrando mais uma vez a confiabilidade da mecânica Volkswagen.
O Fusca anfíbio brasileiro
Pouca gente sabe, mas a própria Volkswagen do Brasil também desenvolveu um Fusca anfíbio experimental.
Em 1960, engenheiros da fábrica criaram um protótipo para estudar a vedação da carroceria.
O projeto fez tanto sucesso que foi apresentado no primeiro Salão do Automóvel de São Paulo.
Pouco tempo depois, o veículo entrou na Lagoa Rodrigo de Freitas diante da imprensa e navegou normalmente, chamando enorme atenção do público.
A Volkswagen deixou claro que o carro não seria produzido em série; tratava-se apenas de um estudo técnico e uma demonstração das capacidades da plataforma do Fusca.
Por que o Fusca era ideal para isso?
O segredo estava em seu conjunto mecânico.
O motor boxer refrigerado a ar eliminava problemas de superaquecimento e a ausência de radiador reduzia o risco de entrada de água.
Além disso:
- o motor traseiro facilitava o equilíbrio;
- a mecânica era extremamente simples;
- havia poucos componentes eletrônicos;
- a manutenção era fácil em qualquer lugar.
Essas características transformaram o Fusca em um dos automóveis mais resistentes já produzidos.
- O Schwimmwagen continua sendo o carro anfíbio mais produzido da história.
- Diversos exemplares sobrevivem em museus e coleções particulares.
- Alguns ainda navegam em encontros de veículos históricos.
- O Automuseum Volkswagen mantém exemplares totalmente restaurados.
- Existem diversos Fuscas anfíbios construídos artesanalmente por colecionadores em vários países.





